quarta-feira, 7 de outubro de 2020

CEARÁ (FRANCISCA CLOTILDE)

 

 

 (Ao Revdo Padre Paulino Nogueira)   


    Princesa dos Verdes Mares,

Oh! Minha terra querida,

Eu te saúdo contente

Nesta data enaltecida!

Quisera em lira dourada,

Em trenós harmoniosos

Proclamar ao mundo inteiro

Teus feitos sempre alterosos.

 

Teu céu azul é sereno,

São belas tuas campinas,

Quando em abril se matizam

De vicejantes boninas;

Doces vozes se desprendem

Nos galhos por entre os ninhos,

Onde cantam seus amores

Milhares de passarinhos.

 

A linfa que nos verdores

Desliza sonora e pura

Cicia ternos segredos

Das matas pela espessura;

E a refletir docemente

O azul sereno dos céus

Parece um límpido espelho

Da glória imensa de Deus.

 

Oh! Meu Ceará querido,

Bela pátria de Alencar,

Com quanto amor te venero

Oh! Como sei te exaltar!

Na fúlgida constelação

Da terra de Santa Cruz,

És a estrela mais brilhante,

Oh! Grande Terra da Luz!

 

Tens flores, as mais formosas,

Aves de todas as cores,

As borboletas mais lindas,

Os mais gentis beija-flores;

O teu luar argentino,

A se espalhar sobre o mar,

Inspira meiga poesia,

Obriga a gente a sonhar!...

 

Salve, terra abençoada,

Que na noite procelosa

Da dor soubeste vencer

Sempre de pé, corajosa;

Que cantem com ufania

O esplendor, a vitória,

E os cearenses que honram

Teu nome cheio de glória.[1]



[1] F. Clotilde. Ceará Intelectual. 1912. Ver, também, SAMPAIO. Filgueira. Noções de História do Ceará. Recife, 1951, pp. 109-10.

 

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